Wednesday, October 08, 2008

Ana Elisa

No dia 15 de setembro nasceu nossa princesa, com 52 cm e 3,9 kg, trazendo consigo uma dose de felicidade impossível de descrever.
Eu, que já achava que os dias estavam corridos, me vi totalmente envolvida num turbilhão de descobertas: fraldas, mamadas, cuidados com o pequeno tesouro, sustos, dúvidas... mas tudo é compensado quando vejo aquele rostinho que vez ou outra me presenteia com um sorriso único.
Papai e Mamãe estão completamente encantados com esse anjinho e eu não poderia deixar de compatilhar esse momento maravilhoso com os queridos desse cantinho.
Um beijo carinhoso aos que passarem por aqui. :D

Obs.: Não consegui colocar foto aqui, mandem um convite pelo orkut Karina/Jefferson ** Ana Elisa nasceu ** ou karimirandabarros@gmail.com

Tuesday, May 06, 2008

Pausa

De vez en cuando hay que hacer
una pausa
contemplarse a sí mismo
sin la fruición cotidiana
examinar el pasado
rubro por rubro
etapa por etapa
baldosa por baldosa
y no llorarse las mentiras
sino cantarse las verdades.

Mario Benedetti
Poesia e imagens garimpadas no www.flickr.com. Perfeitas para o momento.

...

A saudade dos cantinhos queridos continua, mas confesso que ando completamente sem inspiração pra vida blogueira. Os dias passam rápido e cada vez fico mais encantada com a nova vida que cresce dentro de mim. Parece que teremos uma mocinha na família, informação que deve ser confirmada no próximo exame. :D
No mais muito, muito trabalho. Alguma disposição e problemas que teimam em não se renderem à uma solução definitiva. Na verdade, um grande problema. Talvez um dia eu fale sobre isso... talvez...
Um beijo carinhoso aos que passarem por aqui e obrigada pelo carinho de sempre.
Eu volto.

Friday, April 04, 2008

Beber a vida num trago, e nesse trago
Todas as sensações que a vida dá
Em todas as suas formas [...]
(Fernando Pessoa)

A foto foi tirada do alto da Ibituruna, na minha terrinha. Garimpada no orkut.

Por você, faria isso mil vezes.

"- Quanto tempo demora? - perguntou ele.

- Não sei. Um pouco.
Sohrab deu de ombros e voltou a sorrir, desta vez era um sorriso mais largo.
- Não tem importância. Posso esperar. É que nem maçã ácida.
- Maçã ácida?
- Um dia, quando eu era bem pequenininho mesmo, trepei em uma árvore e comi uma daquelas maçãs verdes, ácidas. Minha barriga inchou e ficou dura feito um tambor. Doeu à beça. A mãe disse que, se eu tivesse esperado as maçãs amadurecerem, não teria ficado doente. Agora, quando quero alguma coisa de verdade tento lembrar do que ela disse sobre as maçãs."

O Caçador de Pipas - Khaled Hosseini

Hum, a mesnagem é linda, mas a prática... :D

Wednesday, March 19, 2008

Notícias

Titios e Titias,
a mamãe ultimamente está numa correria danada e não teve tempo de atualizar o blog, nem visitar os cantinhos que encantam seus olhos e sua alma.
Mas pediu que eu avisasse que está tudo bem. Logo, logo, ela volta pra esse mundinho tão querido.
Ah, já tenho 3 meses e 6,1 cm. Só não vou revelar ainda se sou mocinha ou mocinho. Algum palpite? :D
Bjs carinhosos meus e da mamãe.
Imagem: Klimt

Outras lembranças

Ao quintal chegava-se através da porta estreita da cozinha. E se é verdade que a cozinha era escura, nem por isso deixavam de ver os objectos, as panelas de alumínio e as gordas caçarolas, os púcaros e as tijelas de esmalte, o fogão esbranquiçado, de bocas de latão, a grande mesa com tampo de pedra onde havia sempre alguma louça esquecida. Mas sobre isso passava-se ao largo, sem realmente olhar, corria-se em direção ao quintal, como se se fosse sugado pela luz, cambaleava-se, transpondo a porta, porque se ficava cego por instantes, apenas o cheiro e o calor nos guiavam, nos primeiros passos – chegando até nós no vento morno, como um bafo de animal vivo.
As coisas, no quintal, dançavam: as folhas largas de um pé de bananeira, as folhas e as flores do hibisco, os ramos ainda tenros do jacarandá, as folhas de erva nascediça, que crescia como capim e contra a qual, em dada altura, se desistia sempre de lutar.
Era quando alguém se deitava sobre a erva que via como eram finas as folhas do jacarandá varrendo o céu e como o sol era um olho azul e doirado espreitando, cegando todos os outros, para que só ele pudesse olhar. O sol, sobre o quintal e a casa, era o único olhar não cego.
Mas, como eu disse, não se precisava de olhos para ver, porque mesmo de olhos fechados se via, através das pálpebras inundadas de luz – a rede de arame do galinheiro ao fundo, o muro, o telhado da casa, as janelas, a porta escura, sempre aberta, a varanda, em cima, onde ao cair da tarde Laureano se iria sentar bebendo cerveja. Não precisava de olhos para ver, a tal ponto se conhecia e possuía tudo, e também quase não era necessário esperar nem desejar, as coisas aconteciam por si mesmas, vinham ao encontro das pessoas – assim por exemplo bastava levantar a cabeça ao fim da tarde para ver Laureano sentado na varanda.
Então a noite descia, como cerveja preta entornada pelo céu. Ou como uma pálpebra caindo. Porque era rápido o crepúsculo, a bem dizer não havia crepúsculo, como não havia transição entre as coisas: era a treva, ou a luz.
Em baixo – enquanto ele sentava na varanda – o quintal crescia como uma coisa selvagem. Brotava um grão de mapira atirado ao acaso ou deitado aos pássaros, brotava um pé clandestino de feijão-manteiga ao lado dos malmequeres, brotavam silvas e urtigas e ervas sem nome no meio da chuva-de-ouro e da bauínea – qualquer semente levada pelo vento se multiplicava em folhas verdes, lambidas pelas chuvas de Verão. E Amélia diria, franzindo a testa: O jardim tornou-se um matagal. E fecharia com força a janela.
Mas não era um jardim, era um quintal selvagem, que assim se amava ou odiava, sem meio termo, porque não se podia competir com ele. Ele estava lá e cercava-nos, e ou se era parte dele, ou não se era.
A Árvore das Palavras - Teolinda Gersão

Monday, February 25, 2008

Amor

Na véspera de ti
eu era pouca
e sem
sintaxe
eu era um quase
uma parte
sem outra
um hiato
de mim.

No agora de ti
aconteço
tecida em ponto
cheio
um texto
com entrelinhas
e recheio:
um preciso corpo
um bastante sim.

Maria Esther Maciel
Imagem: "O Beijo" de Gustav Klimt

Água na Boca

Olha só o que apareceu enquanto pesquisava imagens da terrinha:

Hum, rosca caseira douradinha com um café mineiro bem forte (café não vai dar, tadinho do BB).
Queijo "rendado" com goiabada e doce de leite "taiadinho".
Imagens altamente perigosas quando além de saudosa, vc está grávida e sujeita às mais estranhas ou deliciosas vontades.
Resultado: tivemos que nos deslocar até a cidade vizinha pra almoçar no Coração Mineiro. Infelizmente o buffet de doces não estava tão atrativo, mas o tutu, galinhada, batata doce, polenta e carnes assadas, sem comentários. Bão dimais da conta. :D
Coisa boa estar grávida e ser paparicada, ? Madrinhas já descobriram um sítio que vende o queijo "rendado", Mamão fará o doce de leite "taiadinho" e meu pai se encarregará de providenciar as roscas. Aliás, ele se prontificou também a fazer o queijo e o doce, só preciso avisar antes pra ter tempo de comprar leite "de vaca" (nada de caixinha). Só não mobilizei todo mundo pq descobri q fiotinho(a) tbém não é muito fã de segunda e estamos completamente enjoados novamente. E um manjar desses merece uma degustação à altura. :D

Gratificante

Adoro fotografia, mas confesso que não estudei ou pratiquei tanto quanto gostaria. Tenho muitas fotos da terrinha, mas sempre faltam imagens de pequenas lembranças que vão surgindo. Já faz um longo tempo que não vou pra lá e foi nesse tempo que as câmeras digitais tornaram-se populares. Fico imaginando que na próxima visita será um festival de cliques e olhares interrogativos, afinal não creio que seja comum por lá pessoas fotografando plantinhas, casas antigas, detalhes da cozinha ou de algum outro cômodo.
Isso tudo está fotografado na minha mente e é um presente encontrar na net uma imagem que revela essa lembrança, como aconteceu na postagem "A minha saudade faz lembrar..."
A maioria das imagens desse blog (e desse post) foram garimpadas no site www.flickr.com (vide Crédito de Imagens). Qdo as fotos são minhas ou de outro site, menciono no final do post.
Foi extremamente gratificante ver o quanto essas imagens mexeram também com os(as) queridos(as) que passam por aqui.
A casinha branca com telhas de barro e janelas azuis, cercada por pomares, cafezais e montanhas. A varanda com vista para o grande terreiro, de onde os moradores avistam quem passa pela velha porteira. As rodas de um antigo carro de boi, a montaria amarrada e galinhas ciscando, um pedaço de um pneu velho onde a criação mata a sede. Os latões repletos de leite sendo levados até a "linha", onde o caminhão de alguma grande indústria faz a coleta. Um banco de madeira cercado pelo mato, no caminho da varanda pra algum cantinho do sítio.
A gente fecha os olhos e a alma viaja.
Eu sinto muita saudade dessas coisas simples, uma saudade saudável de quem sabe o quanto foi feliz, mas nem por isso deixa de valorizar a felicidade do momento presente. Durante muito tempo andei ocupada com estudos e trabalho e havia perdido os "olhos de ver", de procurar a beleza nas coisas mais simples, como uma flor nascida no meio do mato. Foi esse olhar que consegui recuperar através das lembranças reunidas nesse blog e é esse olhar que espero que todos que passam por aqui possam ter. :o)
Ver um mundo num grão de areia
E um céu numa flor silvestre,
Ter o infinito na palma da sua mão
E a eternidade numa hora.
(William Blake)

Friday, February 22, 2008

Fiozinho D'Água


Um fiozinho d' água
Desviou de um riacho
Veio vindo serra abaixo
E passou no meu pomar,
Encontrou uma pedra
Ficou sua companheira
Brincaram de cachoeira
E aqui ficaram pra morar,
E hoje da janela
Eu contemplo a cachoeirinha
Que ficou minha vizinha
Desde que a vi nascer
Seu murmúrio doce
É um verdadeiro canto
É quem me serve de acalanto
Para eu adormecer
(João Pacífico)

Tuesday, February 19, 2008

Tão Sutilmente

Tão sutilmente em tantos breves anos
foram se trocando sobre os muros
mais que desigualdades, semelhanças,
que aos poucos dois são um, sem que no entanto
deixem de ser plurais:
talvez as asas de um só anjo, inseparáveis.
Presenças, solidões que vão tecendo a vida,
o filho que se faz, uma árvore plantada,
o tempo gotejando do telhado.
Beleza perseguida a cada hora, para que não baixe
o pó de um cotidiano desencanto.
Tão fielmente adaptam-se as almas destes corpos
que uma em outra pode se trocar,
sem que alguém de fora o percebesse nunca.

A minha saudade faz lembrar...

Sábado e domingo são dias para assistir Viola, Minha Viola e Globo Rural, deixando a alma suspirar de saudade.
Meu pai sentado ao lado, contando causos da família, da época da roça e das tropas de peões. Rubem Alves está certo, a alma mineira vive de saudade. :D

Resgates

17/06/06
"Imagine só vc num carro onde o motorista é constantemente perseguido por cachorros. Sério, toda vez q saímos e ele dirige, um cachorro se joga na frente do carro. O bichinho pode até estar quietinho, no acostamento, tranquilo... mas é só ver o carro se aproximando e identificar o motorista pra se jogar na frente do carro, assim, de repente, quase não havendo tempo suficiente pra desviar.E não acontece uma vez ou outra. Digamos que em 99,99% das vezes que saímos.Agora, sabe aquelas pessoas que se vestem com fantasias pra divulgação em frente à lojas de carro, como Bob Esponja, Tico e Teco, Perna de Pau... imagine só esse mesmo motorisda diminuindo a marcha pra dar uma buzinadinha e um tchauzinho pros animadores com um sorriso estampado no rosto. Muito fofo... rs...Pois é, existe, e é meu... rs"

Os cachorros já não se comportam como suicidas na frente do carro. O motorista vai ser papai, mas continua com o sorriso cativante sempre que vê os tais "bichinhos" ou "palhaços" animando as lojas. Descobri que um deles já o conhece de longa data, pois vem tirando sorrisos do motorista desde que ele era menino.
Há pouco estava com fantasia de palhaço, duas bolas enormes na calça larga fazendo as vezes de popozão. O motorista buzinou, cumprimentando com um "nossa, você está linda hoje". O palhaço piscou, fazendo-se de tímido e respondeu "ah, são seus olhos."
Algumas coisas não mudam e isso é bom demais. :D