Thursday, December 20, 2007

Coletiva de Natal

"Nós tratávamos de fazer os nossos próprios presépios. Os preparativos começavam bem antes do Natal. Enchíamos latas vazias de goiabada com areia, e nelas semeávamos alpiste ou arroz. Logo os brotos verdes começavam a aparecer. O cenário do nascimento do Menino Jesus tinha de ser vedejante. Sobre os brotos verdes espalhávamos bichinhos de celulóide. Naquele tempo ainda não havia plástico. Tigres, leões, bois, vacas, macacos, elefantes, girafas. Sem saber, estávamos representando o sonho do profeta que anunciava o dia em que os leões haveriam de comer capim junto com os bois e as crianças haveriam de brincas com as serpentes venenosas. A estrebaria, nós mesmos a fazíamos com bambus. E as figuras que faltavam nós as completávamos artesanalmente com bonequinhos de argila.
Tinha também de haver um laguinho onde nadavam patos e cisnes. Não importava que os patos fossem maiores que os elefantes. No mundo mágico tudo é possível. Era uma cena naif, primitiva, indiferente às regras de perspectiva. Um presépio verdadeiro tem de ser infantil. E as figuras mais desproporcionais nessa cena tranquila éramos nós mesmos.
Porque, se construímos o presépio, era porque nós mesmos gostaríamos de estar dentro dele. éramos adoradores do Menino, juntamente com os bichos, as estrelas, os reis e os pastores.
O presépio nos faz querer "voltar para lá, para esse lugar onde as coisas são sempre assim, banhadas por uma luz antiquíssima e as mesmo tempo acabada de nascer. Nós também somos de lá. Estamos encantados. Adivinhamos que somos de um outro mundo" (Octávio Paz).

Rubem Alves - O velho que acordou menino.
Sempre que chegávamos em dezembro, eu tinha o compromisso de montar o presépio da minha avó, feito de figuras de papelão colorido, muito bonitas.
Primeiro passava numa serraria pra pedir serragem, que seria a base do presépio. Encapava uma forma com papel brilhante, colocava a serragem e ia distribuindo as figuras de forma harmoniosa.
Os Reis Magos, o Menino Jesus na manjedoura com Maria e José velando por ele, os animais em volta e até uma pequena árvore com flocos de neve que foi inserida depois. Fazia um pequeno lago com um pedaço de vidro cercado por pedrinhas cuidadosamente escolhidas. Depois terminava enfeitando a forma com algumas fitas e estava pronto o presépio que ficaria exposto na sala, em cima da cristaleira, até janeiro.
Outro ritual era ver a montagem do presépio da igreja. Usavam as mesmas imagens, mas sempre havia um detalhe dando ar de novidade: uma imagem acrescentada, iluminação diferente, etc. O padre da cidade era bastante estudioso, com uma certa tendência inovadora. Foi assim q um ano, visitando a cidade (pois já morávamos em SP), encontramos um presépio montado às margens de uma grande cidade, com o Menino Jesus embaixo do viaduto.
Minha mãe ficou horrorizada, achou moderno demais. Acho que muitos também ficaram, mas não há como negar que hoje em dia certamente seria o cenário que receberia nosso Mestre Jesus.
Sempre gostei mais de presépios que de árvore de Natal, acho que reflete melhor o espírito de união, família e solidariedade que habita essa época do ano.
Sinto saudade dos Natais comemorados na casa da minha avó materna e com meus parentes de Minas, depois que vim morar em SP era sempre uma época de viajar pra encontrar os queridos que estavam longe.
Hoje comemoramos com minha avó, tios e primos do lado paterno, de Minas e SP. Nos reunimos na chácara e é sempre muito bom curtir a tranquilidade e harmonia que invade essas reuniões.

Quero aproveitar esse post e desejar a todos que passam por aqui um excelente Natal e um 2008 repleto de tudo que há de bom. Que o verdadeiro espírito de Natal esteja em seus corações e que o Ano Novo venha repleto de muita saúde, paz, prosperidade e amor. :D

Obs.: esse post faz parte da blogagem coletiva do Blogosfera Cristã, da qual participei através do gentil convite da Georgia.